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domingo, 15 de outubro de 2017

[ABELHAS] Conceito básicos de apicultura (PARTE 37) CLIMA EXTREMO / COLLAPSE

Produção de mel em climas extremos.
                          Colony  collapse  disorder (DCC)


     
Em situações extremas, as abelhas não têm grandes produtividades de mel, usando o doce apenas para sobrevive
A temperatura ideal para a espécie de abelha que exploramos na apicultura, a apis mellifera ou africanizada, varia de 33°C a 36°C, e a temperatura dentro do ninho quando há produção de larvas é mantida dentro desse intervalo. Caso não haja larvas, a temperatura pode variar fora desses limites. Temperaturas abaixo de 33°C são consideradas frio e acima de 36°C, calor.
Esses insetos agem em conjunto para regular as condições climáticas no interior da colmeia, mas para isso existe um limite. Nos locais com excesso de calor as abelhas procuram água e preocupasse  ventilar a colmeia. Se o calor continuar, os insetos distribuem-se entre os favos aumentando o espaço para permitir a circulação de ar. Se isso não funcionar param de trabalhar, então parte das abelhas  sai da colmeia para reduzir o calor corporal gerado e formam grandes barbas  nas entradas das colmeias ou cortiços Se não conseguirem, as larvas começam a morrer e as abelhas abandonam a habitação.
Escolha bem onde vai colocar as suas colmeias de abelhas. Com tempo muito quente as colmeias devem estar sombreadas com árvores ou coberturas artificiais para evitar a elevação interna da temperatura e o desgaste das abelhas com a ventilação e busca de grandes quantidades de água, ao invés de colherem néctar e pólen.

Caso não tenha o referido em atenção, pode ter grande mortandade de larvas e até o abandono da colmeia por parte das abelhas.
No caso de excesso de frio, os insetos param de trabalhar e  aglomeram-se sobre a área de cria para conservar o calor corporal e aquecer as larvas. Nesses casos, as abelhas também consomem mel e vibram a musculatura indireta de voo para gerar calor. Larvas que ficam fora dessa cobertura morrem de frio.
Nos casos de temperaturas extremamente baixas, as abelhas da periferia do aglomerado perdem muito calor e resfriam. Então, para não morrerem, alternam com as abelhas que estão na parte mais interna, de forma que possam aquecer novamente e o processo continuar. É importante que a reserva de mel ou alimentação dada pelo apicultor esteja logo acima do aglomerado de abelhas, pois nessa situação de muito frio as abelhas não abandonam a formação para procurar por alimento em outras partes da colmeia, morrendo de fome e frio mesmo que haja alimento na colmeia.
As abelhas têm mecanismos de controlo da temperatura corporal. Os insetos adultos conseguem ir ao campo e trabalhar até temperaturas de 12°C porque o calor que gera ao voar compensa a perda de calor do ambiente. Abaixo disso, a abelha pode morre de frio.
Por outro lado quando a temperatura é alta, as abelhas conseguem voar até temperaturas de 40°C. Refrescam colocando gotas de néctar ou água que trazem no papo e na língua, para que evapore e eliminem o excesso de calor. Acima dos 40°C as abelhas têm grandes dificuldades de voar e geralmente permanecem na colmeia não conseguindo produzir mel.
A questão é evitar que abandonem as colmeias e assegurar a sobrevivência da colónia no melhor estado possível para que venham a produzir bem quando as condições favoráveis retornarem.
Os cuidados que os apicultores devem tomar variam de região para região. 
Abelhas mortas não significam necessariamente
Colony  collapse  disorder (CCD)(Distúrbio do colapso da colónia) Abelhas.
Transtorno do colapso da colónia.
Fenómeno que ocorre quando a maioria das abelhas operárias de uma colónia desaparece e deixa para trás uma rainha, muita comida e algumas abelhas enfermeiras para cuidar das abelhas imaturas remanescentes e da rainha.
Mas a colónia não consegue sobreviver sem abelhas operárias acabando por morrer.
Fenómenos semelhantes foram registados pelo menos desde 1869, e desde então várias denominações populares foram surgindo. Em 1906 foi bem documentado um caso de grandes perdas no Reino Unido. Na época as causas não foram determinadas, mas análises posteriores sugerem uma combinação de fatores. Novas ocorrências foram documentadas em 1918 e 1919 nos Estados Unidos, e outros casos se repetiram mais tarde em vários locais. Na década de 1970 começou a observar-se um dramático declínio nas abelhas selvagens dos Estados Unidos, e um declínio nítido, mas menos acentuado, entre as colónias domesticadas. Isso tem sido atribuído a várias combinações, incluindo a perda de habitats, avanço da urbanização, infecções e uso de pesticidas agrícolas. No inverno de 2006/2007 o problema afetou pesadamente as abelhas norte-americanas. No geral, os apicultores relatavam perdas que variavam de 30 a 90%. No Reino Unido, no mesmo ano, as perdas das colónias selvagens foi dita "catastrófica", e todos os outros insetos polinizadores estavam em declínio. Um fenómeno semelhante foi observado na mesma época por apicultores da BélgicaFrançaPaíses BaixosPolóniaGréciaItáliaPortugal e Espanha.
Por vários fatores, passados dez anos em Portugal o fenómeno continua activo.
O CCD parece ser sujeito a ciclos de natureza e origem desconhecida, ocorrendo fases de agravamento seguidas de estabilização e até reversão nas tendências, e a distribuição mundial é bastante irregular e imprevisível. Um levantamento indicou que desde 2012 os casos de CCD têm aumentado o número de perdas de colónias no verão, que ainda não foram bem explicadas. Longas áreas ardidas, vários tipos de vespas, acrescentamos as teorias sobre a causa ou as causas da CCD incluem infecção por bactérias, fungos, vírus, Nosema , o ácaro varroa invasivo e a intoxicação por pesticidas.Incluem-se uma má nutrição devido a superlotação, a polinização de culturas com baixo valor nutricional ou a escassez de pólen ou néctar, o sestres migratório provocado pela maior necessidade de mover abelhas em longas distâncias para polinização. Radiações celulares, plantações com sementes geneticamente modificadas, alteração do sistema imunológico das abelhas tornando as colónias mais susceptíveis à doença. Embora o CCD possa ser causado por um único fator, também é possível que vários fatores juntos causam perda de colónias. Descobrir os agentes causadores para CCD não é uma tarefa fácil.
 Apontamento
Tudo está bem na colmeia.
Milhares de abelhas, cada uma com sua função, trabalham numa harmonia perfeita. Até que algo estranho acontece. Sem motivo aparente, as abelhas abandonam a colmeia deixando para trás tudo o que construíram para nunca mais voltar. 
Ninguém sabe para onde elas foram, nem se ainda estão vivas não há rastros ou insetos mortos nos arredores da colmeia.
Comportamento muito estranho,que se está a espalhar pelo mundo. As abelhas de 10 países já apresentaram esse síndrome que foi batizada de colony collapse disorder (“desordem de colapso de colónia”, em inglês). 
Só nos EUA, o lugar mais afetado pela doença, 50 biliões de abelhas desapareceram, esvaziando 40% das colmeias do país. Os primeiros casos da síndrome apareceram em 2006, mas só agora os cientistas descobriram o que provoca este fenómeno. “É uma infecção por vírus, que danifica o código genético dos insetos”, Entomologia estudada por May Berenbaum afirma que esses vírus, que ainda não foram isolados causam modificações em 65 genes dos insetos e isso é que estará a provocar o comportamento bizarro das abelhas, cujo desaparecimento pode ter consequências muito mais graves do que a falta de mel. As abelhas são responsáveis pela polinização de mais de metade das 240 mil espécies de plantas floríferas que existem no mundo. 
Sem as abelhas, as plantas não terão como se reproduzir e sobreviver.


 Se um mundo sem abelhas já seria muito ruim, imagine sem flores.






  
  

segunda-feira, 21 de março de 2016

[ABELHAS] Conceitos básicos da apicultura (parte 5) DESDOBRAMENTOS.

O desdobramento pode começar em Abril e prolongar-se até Junho desde que haja zangões. Adapte à sua região e ao clima.  

Poderá dividir (desdobrar) colónias fortes em duas colónias menores ou núcleos, mas se quer ter boas colheitas deve privilegiar a manutenção de colónias (enxames) fortes, pois serão responsáveis pela produção. Se deseja fazer a divisão, deve repartir igualmente o número de quadros contendo favos de cria alimento e pólen nas duas colmeias deixando o maior número de ovos de preferência do dia e crias abertas para a colónia que fica sem rainha uma vez que eles serão necessários para a formação de uma nova rainha, no caso de haver alvéolos reais já formados óptimo, esse quadro passa obrigatoriamente para colónia nova, tenha em atenção que deverá existir alvéolos de zangões. Tente dividir as operárias na mesma proporção. O espaço vazio das caixas deve ser preenchido com quadros com cera alveolada. O enxame que ficar com a rainha deve ser afastado para uma distância mínima de 2 metros do local inicial, outros optam por tirar quatro  quadros, um com criação do dia, outros aleatórios, não importa onde fica a rainha, é só transporta-la para uma distancia mais ou menos 1500metros.  Eu opto por dois metros de imediato, outros por uma distância de 50cm por dia, na colónia que fica deve colocar na frente uns ramos para dificultar a saída e mais facilmente ser identificada pelas abelhas, a partir do terceiro dia vai tirando os ramos, reduza as entradas nas duas colmeias, devem ser alimentadas com alimento líquido. (1L de água, ferva deixe arrefecer e misture bem com 1kg de açúcar). Aproximadamente 7 dias depois de desdobrada faça uma visita, existirá um ou mais casulos de rainha, se não existir casulos volte a colocar um novo quadro com criação do dia, da colmeia inicial ou de outra qualquer, sempre sem abelhas aderentes. A nova rainha só começará a por ovos passados 35 dias, faça uma visita se não for o caso, várias hipóteses se colocam, tente tudo de novo.
Pode desdobrar por mais núcleos mas tenha sempre em atenção a proporção seguindo o atrás descrito, alterando o distanciamento, aqui devera ser mais ou menos 1.500metros.
Faça poucas alterações onde tem instalado o seu apiário as suas abelhas memorizam o local.

Método Nº1 com bons resultados
Os núcleos podem ficar separados 50cm mas deve aplicar cheiros diferentes. ex: (erva cidreira e eucalipto) Mais seguro transportar para 1500m de distância.Opção dos quadros,siga método Nº1
Basta separação: Em linha 2m em fila 5m.

Cheiros diferentes, distancia mínima.
O núcleo com mestra pode ficar bloqueado rapidamente.
 A  Prancheta com furo 9x9cm e rede excluidora.
Mais furos tem possibilidades de mais divisões de quadros utilizando separadores.
 B  Na prancheta rasgo(s) de saída e entrada.
Divisão de quadros,seguir método Nº1
  Evite deixar saída(s) da prancheta virada para o lado do ninho onde fica a rainha.

Utilize os processos, a partir do momento em que as temperaturas nocturnas rondem ou ultrapassem 10ºC. 
           

Não tem que localizar a rainha para criar rainhas.
 NESTE MÉTODO                                                                  


Insira numa colmeia vazia (x) cinco quadros com criação de todas as idades, podendo ser de diferentes colónias mas sem abelhas.
Coloque um quadro de mel e pólen em cada lado desta câmara de criação e preencha o restante com quadros de cera puxada ou laminada.


Coloque a colmeia (x) debaixo de uma colónia muito forte (y) mantendo-a no mesmo local. Coloque entre estas duas colmeias uma prancheta com uma abertura no centro 10x10cm vedada com rede que impeça a passagem das abelhas entre as colmeias mas que permita a mistura de odores.
 Por cima desta prancheta deve deixar uma abertura de modo a que as abelhas consigam sair, as forrageiras regressarão através da entrada original ao corpo (x). Pretende-se que as abelhas amas, responsáveis pela difusão da feromona mandibular da rainha, não passem para o corpo (x). Com esta manipulação visa-se diminuir a inibição para a criação de células reais nesta colónia inferior (x).
Nove dias depois, a colónia (x) deverá apresentar várias células reais operculadas. Retiramos esta colmeia ou apenas todas as células reais (colocando um quadro com criação do dia saíram mais rainhas) que podem ser distribuídas por outras colmeias ou núcleos solitários (sem rainha) 24h a 72h antes. Efetue estas operações com o máximo cuidado, remover estas células reais com uma faca bem afiada ou xizato e colocá-las o mais cedo possível nas colmeias ou núcleos previamente seleccionados e sem rainha.

Rainhas com qualidade
Um pequeno número de rainhas com qualidade pode ser criado numa câmara de criação solitária criada pelo apicultor no topo de uma colónia forte. No final dos procedimentos descritos mais abaixo a disposição da colónia deve respeitar esta ordem vista debaixo para cima:

    Câmara de criação inferior com a rainha
    Grelha separadora de rainha
    Meia alça
    Grelha separadora de rainha
    Câmara de criação superior solitária (sem rainha)

Neste arranjo da colmeia, a câmara de criação superior é utilizada para a criação de células reais e a meia alça para o armazenamento do néctar. A presença da rainha, no ninho inferior, irá manter a força da colónia no decorrer do processo.
Retiramos os quadros com criação não operculada juntamente com as abelhas amas aderentes do ninho original que colocamos numa colmeia vazia. Aqui a rainha deve ser encontrada e mantida no ninho original.
    Substituímos os quadros retirados ao ninho por quadros de cera puxada ou laminada.
    Colocamos uma grelha separadora de rainhas no topo deste ninho assim a rainha não passa.
    Colocamos uma meia alça com quadros puxados ou laminados em cima desta grelha separadora.
    Uma segunda grelha separadora de rainhas é colocada por cima da meia alça.
    A segunda colmeia com os quadros e abelhas resultante da etapa inicial é colocada no topo, com dois quadros de mel e dois de pólen. Coloca-se a prancheta, um alimentador com alimento agasalho se tiver e tampa.
   Três horas depois a colónia estará calma, então colocamos um quadro com ovos e larvas muito jovens retirados de uma colónia que selecionamos para esse fim, inseri-lo no meio da câmara de criação situada no topo, faça uma marca neste quadro para o reconhecer mais facilmente.
O objectivo é que as abelhas amas produzam algumas células reais neste quadro. Passados 8 a 9 dias inspecionamos os quadros deste ninho superior.
 Destruir as células reais que encontrar nos quadros não assinalados se o seu interesse é criar rainhas só neste quadro.

As etapas seguintes podem ser as mais variadas dependendo dos objectivos do apicultor.
 Esta técnica contribui ainda para a prevenção da enxameação.
 Antes das rainhas nascerem passe os quadros com abelhas para  um  núcleo  ou colmeia  que terá que transportar para outro apiário. Se tiver oportunidade faça o enxerto de algumas células reais para outros núcleos sem rainhas.